Roberto Malvezzi (Gogó) escreve sobre as estratégias do governo em relação a greve de fome de Dom Luís.
Roberto Malvezzi (Gogó)
A estratégia do governo, segundo fontes do Planalto, é isolar D. Luís da "mídia, dos políticos do Nordeste e dentro da própria Igreja". Governo poderoso esse, não? Manda até na Igreja.
Entretanto, de quantos pudins é feito o cérebro do governo? Será que acha mesmo possível isolar do conhecimento popular que um bispo está em greve de fome, querendo ir até o fim? Sinal que esse governo, como todos os demais, desde o império, assim como em Canudos, Contestado, Caldeirão, Pau de Colher, também não sabe decifrar o conteúdo político e social que se esconde na linguagem religiosa.
E a Igreja? Será que vai mesmo aceitar que o Estado determine o que ela deve fazer? Muitos bispos já demonstraram solidariedade a D. Luís, embora não compreendam exatamente seu gesto. Afinal, não queremos que ele morra.
O governo já teria montado sua estratégia também para não deixá-lo morrer. Na hora "h", quando perder a consciência, o Estado, em nome da defesa da vida, o seqüestra e o leva para um hospital. Por isso, até agora, a única resposta do governo foi uma ambulância.
Porém, nessa semana começam as manifestações populares. Dia 10 será o dia "D" das manifestações populares contra a "Transposição, Singentha e Leilões do Rio Madeira". Jejuns solidários se multiplicam por todo país. Atos também. Hoje tem romaria da capela ao rio. Domingo, dia 9 povos de todo Nordeste descem em romaria até Sobradinho, onde D. Luís está.
Os desdobramentos, só Deus.