Entre os dias 20 e 22 de outubro, em Águas Belas – Caponga, foi realizada a sistematização do projeto SOS Zona Costeira, que deverá resultar numa publicação e num DVD com o tema “Manguezais x carcinicultura: lições aprendidas”.

Nos dias 20, 21 e 22 de outubro, aconteceu o encontro de sistematização do projeto SOS Zona Costeira, em Águas Belas. O evento contou com a presença de representantes do SOS Zona Costeira, do Fórum dos Pescadores e Pescadoras do Litoral Cearense (FPPLC), do Fórum em Defesa da Zona Costeira do Ceará (FDZCC), da Rede de Educadores Ambientais do Litoral Cearense (Realce), do Instituto Terramar, além de convidados da Universidade Federal do Ceará.
O objetivo do encontro foi organizar o material produzido e articular a publicação de uma cartilha e de um DVD com tema “Manguezais e carcinicultura: lições aprendidas”. A sistematização teve como foco a influência das organizações comunitárias e a articulação dos movimentos sociais no litoral cearense (incluindo as três instâncias: FDZCC, FPPLC e REALCE) frente às políticas públicas de carcinicultura.
O grupo remontou a história de luta contra a carcinicultura, desde o ano de 1998. A linha do tempo foi construída a partir de análises da conjuntura geral e dos acontecimentos provenientes das comunidades do Cumbe e de Curral Velho, as duas localidades mais afetadas pela carcinicultura, no Ceará. Foram relatados todos os avanços da indústria de camarão em cativeiro, os confrontos com as comunidades, a degradação dos manguezais, as disputas judiciais, o fortalecimento da resistência - através da criação da Redmanglar -, o envolvimento do Instituto Terramar, o GT de carcinicultura da câmara dos deputados, o Seminário Nacional "Manguezais e Vida Comunitária - os impactos sociais da carcinicultura" entre outros acontecimentos marcantes.
Através da reflexão sobre a linha do tempo foi realizada uma análise sobre a contribuição das organizações comunitárias nas intervenções, sobre a articulação do FDZCC com as organizações comunitárias na resistência ao avanço da carcinicultura, como a rede funcionou e a metodologia que empregou e, finalmente, sobre a repercussão do tema em âmbito nacional e internacional.
O SOS Zona Costeira chega ao seu terceiro ano com expressivos resultados, no que diz respeito à mobilização das comunidades em torno da articulação de resistência ao modelo de desenvolvimento que exclui as comunidades tradicionais dos processos de decisão e agride seu modo de vida, cultura e principalmente o meio ambiente, fonte de recursos para a sustentabilidade econômica das famílias que vivem nas comunidades costeiras. O projeto trabalhou para fomentar articulações capazes de fortalecer as organizações, movimentos sociais e redes, pela ampliação da visibilidade das problemáticas da Zona Costeira e pela inserção das lutas dos povos do mar cearense no contexto das lutas sociais e ambientais do Brasil.
A sistematização das lições aprendidas nos anos de combate a carcinicultura é de fundamental importância para a construção de uma postura crítica em relação ao modelo de desenvolvimento em curso.