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Lideranças indígenas mantém acampamento em estrada contra empreendimento espanhol

Lideranças indígenas tremembés, da comunidade do distrito de Marinheiros, em Itapipoca, completaram, no dia 27 de outubro, 18 dias de protesto. Os índios montaram um acampamento que impede o acesso à aldeia São José, onde existe um projeto para a construção da Cidade Turística Nova Atlântida.
Cerca de 200 índios estão acampados, há mais de 18 dias, no caminho de acesso à aldeia São João. No dia 10 de outubro, os índios fizeram uma barreira para impedir a passagem de caminhões carregados de material de construção que seriam utilizados nos primeiros prédios da cidade turística Nova Atlântida. O gigantesco empreendimento inclui a construção de hotéis, restaurantes, resorts, quadras e campos de golfe.

No dia 24 de outubro, os membros da sociedade tremembé de São José e Buriti fizeram um documento (abaixo-assinado) solicitando o apoio de outras comunidades indígenas,pescadores, dioceses, trabalhadores sem terra e quilombolas.

Na manhã do dia 19 de outubro, foi realizada uma reunião entre representantes do Ministério Público, do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Missão Tremembé em Itapipoca. Os órgãos ligados ao meio ambiente junto à Polícia Federal comprometeram-se a realizar uma vistoria na área onde está projetada a cidade turística Nova Atlântida para constatar se as construções realmente ocuparão territórios indígenas.

Em 2004, o Ministério Público entrou com Ação Cautelar Preparatória, encaminhada à Justiça Federal do Ceará, contra a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) e a Nova Atlântida Ltda, para sustar o licenciamento do empreendimento "Projeto Turístico Nova Atlântida Cidade Turística Residencial e de Serviços" no território. A juíza federal, Germana de Oliveira, foi favorável ao pedido, fortalecendo a luta da comunidade. Posteriormente, a decisão da juíza foi mantida pelo Tribunal Regional Federal da 5ª. Região (TRF5).

Apesar da proibição da justiça, a empresa continua tentando realizar construções na área. Os índios afirmam que sofrem perseguições por parte dos funcionários da empresa e temem violência contra eles, pois também acamparam por perto cerca de 40 homens contratados pelo grupo Nova Atlântida e há o risco de conflito.

As lideranças da etnia enviaram cartas, denunciando a situação à Fundação Nacional do Índio (Funai) , ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Procurador Federal Especial da Funai e estão pedindo o apoio e a solidariedade de toda a sociedade na luta pela garantia dos direitos de seu Povo.

Em entrevista concedida ao Jornal O Povo, o diretor da Nova Atlântida, Frank Roman, afirma "Na realidade, trata-se de uma invasão do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra). É uma palhaçada e isso demonstra que falta segurança pública no Estado". O empresário conclui a entrevista negando qualquer possibilidade de negociação com o povo indígena.

Diante das perseguições é importante que os movimentos e entidades se unam para colaborar com a comunidade tremembé através de apoio ao abaixo-assinado.

Contato: Adriana Carneiro (Liderança Tremembé) – (85)8731.4821 / Maria Amélia (Missão Tremembé) (85)3243.7675.

Assessoria de Comunicação - Terramar

17/10/2006

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