Início da Página:

Você está na Principal » Notícias

Instituto Terramar - Ato público marca centenário do 8 de março


Menu de Acessibilidade:

Instituto Terramar

Menu de Ferramentas:

Conteúdo da Página:

Ato público marca centenário do 8 de março

Via campesina protesta contra a violência do Agronegócio.

Mulheres da Via Campesina realizaram ato público contra a violência do agronegócio, em frente à Nufarm – indústria de químicos agrícolas, em Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza. Em defesa da biodiversidade, da agroecologia, da agricultura familiar, da produção de alimentos saudáveis e pela Reforma Agrária, as mulheres camponesas do Ceará balançaram suas bandeiras e entoaram cânticos pela afirmação de seus direitos.
Foto: Cristiane Fautino
Foto: Cristiane Fautino
A iniciativa fez parte de uma articulação nacional que construiu mais uma Jornada de Lutas das Mulheres. Este ano a jornada mobilizou militantes em 15 estados brasileiros, no Ceará, a ação contou com a participação de 400 pessoas, mulheres de diferentes municípios cearenses, de lutas camponesas e urbanas. Além da via campesina e do MST, que puxaram a mobilização, também estiveram presentes representantes do Fórum Cearense de Mulheres (FCM) e da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB).

Durante o ato, as implicações do agronegócio foram problematizadas em palavras de ordem e por meio de uma nota pública com as contradições desta atividade econômica em relação à agricultura camponesa. Uma vez que o agronegócio implica na mecanização das lavouras, na expansão do latifúndio e no estimulo a monocultura, a atividade utiliza pouca mão de obra, e, na maioria dos casos, expropria camponeses e camponesas de seus territórios. Tais fatores influenciam diretamente na imigração dessas populações para os grandes centros urbanos, já marcadamente excludentes.

Foto: Cristiane Fautino


A escolha da Nufarm para a manifestação deste 8 de março está diretamente relacionada com os impactos já descritos. A referida indústria corresponde a uma empresa transnacional, com sede na Austrália, presente em mais de 100 países, ocupando o 8º lugar no ranking mundial na produção e distribuição de químicos agrícolas, segundo informações fornecidas em seu site. No Brasil, passou a atuar com a aquisição da Agripec Química e Farmacêutica AS. No Ceará, instalada no pólo industrial do Maracanaú, recebe incentivos fiscais do Governo do Federal e do Estado.

Entretanto, os vizinhos da Nufarm, pertencentes às comunidades do Conjunto Novo Maracanaú, Coqueiral, Piratininga, Jereissati e Acaracuzinho relatam sofrerem com a poluição ambiental provocada pela indústria. Pesquisas realizadas pelo Núcleo Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a Sustentabilidade – do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicinada Universidade Federal do Ceará, já apontam essas conseqüências e seus pesquisadores estão respondendo a processos judiciais por tentarem levantar a questão.

A partir do contexto relatado, as lideranças Cearenses da Via Campesina reinvidicam que¹:
• “os órgãos governamentais e jurídicos (como a SEMACE, IBAMA, ANVISA, etc.) cumpram de fato o seu papel de monitorar e de punir as empresas que cometem irregularidades;
• a suspensão dos incentivos fiscais e créditos subsidiados para as empresas que cometem crimes ambientais e sociais;
• a divulgação e ampliação dos estudos e pesquisas existentes nas Universidades, como forma de medir os impactos sociais e ambientais e esclarecer a população sobre os riscos;
• a retirada imediata da empresa NUFARM do Conjunto Novo Maracanaú, do Estado do Ceará e do Brasil;
• a suspensão da produção, comercialização e utilização de agrotóxicos;
• a recuperação ambiental das áreas afetadas pelos agrotóxicos;
• a proibição da produção e comercialização de produtos transgênicos;
• a desapropriação das terras com crime ambiental e destinação imediata para a Reforma Agrária;
• e créditos de apoio a produção agroecológica de alimentos produzidas pela agricultura camponesa.”

Foto: Cristiane Fautino


As reivindicações das militantes evidenciam o quanto as populações pobres, negras, indígenas, faveladas e camponesas têm seus direitos negligenciados em nome da concentração de riquezas e do projeto de desenvolvimento escolhido pelo Estado. Sobre as mulheres as conseqüências apresentam-se mais devastadoras, pois, historicamente a mulher é reconhecida como o lugar de quem deve cuidar, organizar e oferecer prazer na sociedade. Por isso, a relevância deste 8 de março, centenário dia da visibilidade das lutas das mulheres por uma sociedade justa e igualitária.


Participei da manifestação!
Cristiane Faustino, feminista, assessora do Instituto Terramar e militante do Fórum Cearense de Mulheres, fala sobre impactos do agronegócio na vida das mulheres: “Historicamente as mulheres estão ligadas a agricultura de subsistência a qual depende a segurança alimentar das famílias camponesas. Uma vez que o agronegócio privatiza cada vez um maior número de terras e necessita de pouca mão de obra, os trabalhadores, de um modo geral, enxergam na imigração para os grandes centros urbanos uma saída para a falta de trabalho e subsistência, no caso das mulheres, muitas são empurradas para o trabalho doméstico que a princípio necessita de pouca especialização.”

Cristiane ressalta, ainda, que as conseqüências para as mulheres perpassam diversas dimensões, uma delas é a da saúde. “O agronegócio utiliza insumos que prejudicam a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras rurais e os que moram no entorno das indústrias de agrotóxicos. Já existem vários relatos sobre a incidência de doenças respiratórias e casos de câncer. A ausência de políticas públicas de saúde que dêem resposta a essa situação, aumenta a sobrecarga das mulheres historicamente responsabilizadas pela saúde da família. É necessário romper com a responsabilização única das mulheres e garantir que as políticas publicas existentes não fortaleçam esse lugar.”

¹Retirado da nota “Viva os 100 anos do 08 de março: Dia Internacional de luta das mulheres trabalhadoras” da Via Campesina.

Camila Garcia

10/03/2010

Imprimir texto Enviar esse texto por e-mail

Últimas


Selo de funcionalidades

As notícias deste site são veiculadas através de um canal rss! O que é isso?

Menu de Acessibilidade:

Fim da página