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Instituto Terramar - O modelo miserável de desenvolvimento


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O modelo miserável de desenvolvimento

Entre as maiores produtoras de soja, Campos Lindos é uma das cidades mais pobres do país.
O município de Campos Lindos, no norte do Tocantins, é o principal exportador de soja do Estado. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção do grão na cidade cresceu de 9,3 mil toneladas, em 1999, para 127,4 mil toneladas, em 2007. Um crescimento de 1.370% em apenas oito anos. O Projeto Agrícola Campos Lindos, instalado a partir de 1999, tem grande responsabilidade nisso.

O mesmo IBGE, contudo, revela a face desastrosa desse modelo de desenvolvimento. Segundo o instituto, que cruzou dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2002-2003 com o Censo 2000, 84% da população da cidade vivia na pobreza, dos quais 62,4% em estado de extrema indigência, ou seja, não ingerem o mínimo de calorias diárias para sobreviver.

Trabalho escravo


Para piorar, após uma década de um contestado processo de “titulação” pública, em que dezenas de famílias de pequenos agricultores foram desalojadas, o município ainda tem sido palco de trabalho escravo. Segundo Silvano Resende, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da região do Araguaia-Tocantins, esse caos social é culpa do grupo liderado por Kátia Abreu, Siqueira Campos e outras figuras emblemáticas que têm ideologicamente impulsionado esse modelo conservador e destruidor.

“Temos uma estimativa de que exista em torno de 20 mil famílias que estão fora da terra e que tem o perfil de reforma agrária. Prova disso é que nós tivemos nos últimos anos os índices mais altos de pessoas que vivem em condições análogas a de escravos no estado do Tocantins”, explica.

Segundo Resende, a justiça local é um dos principais instrumentos que corroboram a miséria na região. “Desde as comarcas de Goiatins, até Colinas, as decisões são aberradoras”, salienta. Ele conta que no município de Brasilândia, que pertence à comarca de Colinas, existe uma fazenda em que seu posseiros reivindicavam a posse há mais de seis anos. De acordo com Resende, o ex-senador do estado, Eduardo Siqueira Campos, com o apoio intimidatório de pistoleiros da região e com sua influência na justiça local, conseguiu com que houvesse a reintegração de posse, com a expulsão de 45 famílias da área.

Para ele, devido ao momento social e político pelo qual passa o estado do Tocantins, os movimentos sociais locais precisam urgentemente “se articular e se organizar para aproveitar esse momento”.

Texto:Eduardo Sales de Lima
(Fonte: Brasil de Fato)

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