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Instituto Terramar - Caetanos de Cima em defesa do território, da água e da vida.


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Caetanos de Cima em defesa do território, da água e da vida.

A comunidade de Caetanos de Cima realizou, no dia 09 de janeiro, um ato de celebração e fortalecimento das lutas pela defesa dos territórios empreendidas pelos movimentos sociais da Zona Costeira cearense. Saiba mais aqui.
“Quando as cercas caírem no chão
Quando as mesas se encherem de pão
Eu vou cantar.
Quando os muros que cercam os jardins,
Destruídos, então os jasmins
Vão perfumar.
Vai ser tão bonito se ouvir a canção,
Cantada de novo.
No olhar da gente a certeza de irmão,
Reinado do povo.”  
(Utopia, Zé Vicente)

Caetanos de Cima  iniciou o ano de 2010 com um ato de celebração e fortalecimento das lutas empreendidas pelos movimentos sociais da Zona Costeira do Ceará. A atividade foi realizada, no dia 09 de janeiro, no Assentamento Sabiaguaba, as margens da lagoa de Sabiaguaba — que vem sendo ameaçada por especuladores imobiliários da região e por empresários da rede hoteleira. O evento contou com a participação de 74 pessoas, entre lideranças comunitárias, povos indígenas, movimentos populares e representantes de outros movimentos que apóiam as lutas pela garantia de direitos das populações tradicionais.
 
O momento foi permeado por uma mística que trazia os quatro elementos da natureza como símbolos dos lugares e das populações e de suas interrelações. Assim, terra, água, fogo e ar inspiraram reflexões sobre os desafios postos às populações tradicionais, pelo avanço das culturas de massa, industrial e capitalista na Zona Costeira do Ceará.  A mística possibilitou também revisitar alianças e compromissos assumidos pelos movimentos sociais na zona costeira, trazendo na simbologia da terra a afirmação do direito das populações tradicionais ao território; no ar, a coragem das ventanias que derrubam e sempre irão derrubar as cercas erguidas na ilegalidade; no fogo a queima de todas as coisas ruins que afligem o povo do litoral, e na água, a confirmação de uma aliança que fortalece a resistência das lutas sociais das populações tradicionais.

Para a organização do evento, esse tipo de mobilização contribui com a construção de espaços de socialização e discussão das questões que atingem as comunidades. Mas é, sobretudo, uma forma de demonstrar que as comunidades não estão em lutas isoladas e sim numa “ciranda viva” na ação política por uma Zona Costeira com justiça socioambiental. 

Sobre o Assentamento
O assentamento do Imóvel de Sabiaguaba está localizado na planície litorânea do município de Amontada, setor extremo-oeste da Zona Costeira cearense, a 210 km de Fortaleza. É composto por três comunidades – Caetanos de Cima, Pixaim e Matilha – situadas a 70 km da sede do município de Amontada, e 72 km de Itapipoca, por onde se dá seu acesso.

As famílias de Caetanos de Cima começaram a se organizar em defesa da terra na década de 1980 com a organização dos grupos de jovens e de mulheres, vinculados ao movimento das Comunidades Eclesiásticas de Base (CEB’s). A grande conquista se deu no dia 17 de fevereiro de 1987 com a desapropriação de terrenos na região e nomeação do Assentamento pelo Incra.

Sua cultura e economia fundamentam-se na relação com a pesca e a agricultura. Segundo informações da Associação dos Pequenos Agricultores e Pescadores Assentados do Imóvel Sabiaguaba (Apaiais), o Assentamento é composto por 300 famílias em um total de 1.800 habitantes, concentradas principalmente na área das dunas fixas, dos tabuleiros litorâneos e na faixa de praia.

A luta de resistência vivenciada pelo Assentamento Sabiaguaba, em especial pela comunidade de Caetanos de Cima, vem ao longo dos 30 (trinta) anos, se tornando referência histórica na garantia por Justiça Social. No entanto, o ano de 2009, foi a marcado por grandes conflitos fundiários, tensões, ameaças, medos, invasões, retaliações contra a organização comunitária, marcando um cenário de violência.

 Texto:Rogéria Oliveira (assessora do Instituto Terramar)

Assessoria de Comunicação - Instituto Terramar

14/01/2010

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