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MST/CE realiza XXII Encontro Estadual e homenageia parceiros

Entre os dias 18 e 20 de dezembro, o Movimento dos/as Trabalhadores/as Rurais Sem Terra do Ceará - MST/CE realizou seu XXII encontro estadual no Assentamento 25 de Maio, município de Madalena. No dia 21, movimentos e organizações, apoiadores da luta do MST, foram homenageados, entre eles, o Instituto Terramar.
No ano em que o MST/CE completa seu vigésimo aniversário, o local escolhido para a realização do XXII Encontro Estadual do Movimento não poderia ser outro senão o Assentamento 25 de Maio, primeiro assentamento conquistado pela luta do MST no Ceará, onde vivem, atualmente, cerca de  425 famílias. Durante o encontro, que reuniu mais de 850 militantes do movimento, aconteceram debates, análises, programações culturais e entrega de prêmios aos parceiros do MST.

A experiência de 20 anos do MST/CE, com atuação em 183 assentamentos de reforma agrária, prova que é possível pensar na transformação da sociedade através da construção de outra proposta de desenvolvimento para o campo baseada em relações sociais mais justas e igualitárias. Entretanto, mesmo com as conquistas efetivadas ao longo desses anos de história, o MST/CE compreende que existem grandes desafios a serem superados - o primeiro deles seria a concretização da reforma agrária popular. Durante o encontro, colocou-se em debate que a política de assentamentos é importante para avançar na descentralização da terra, mas que é preciso caminhar na direção de um desenvolvimento agrário baseado na agricultura camponesa e capaz de avançar na construção de um modelo de desenvolvimento para o campo que se contraponha a lógica do agronegócio - grande responsável pela permanência da monocultura, voltada principalmente para a exportação, ocasionando a concentração fundiária, a contaminação de águas e solos, os desmatamentos e a continuidade de relações de trabalho degradantes no meio rural. Essas são algumas das razões que levam o MST a questionar o agronegócio como o modelo de desenvolvimento adotado no país em detrimento da agricultura familiar. Uma situação que se mostra contraditória uma vez que o Censo Agropecuário* nos revela que cerca de 65% de todos os produtos consumidos pelos brasileiros são oriundos da agricultura familiar. Diante disso, vale perguntar o "porquê" dos investimentos públicos privilegiarem o agronegócio. Uma questão importante de ser respondida uma vez que a construção de uma reforma agrária legítima está relacionada à busca pela soberania alimentar.

Num contexto de criminalização dos movimentos sociais, quando está instalada uma CPI contra as lutas do MST, sobretudo, contra a revisão dos índices de produtividade, numa tentativa clara de minar as forças dos movimentos que lutam pela justiça social, se faz urgente demonstrar apoio ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Por isso, o Instituto Terramar esteve presente, no Assentamento 25 de Maio, não só para receber a homenagem prestada pelo MST/CE aos amigos do Movimento, mas, sobretudo, para reafirmar sua solidariedade e apoio à luta por uma reforma agrária justa e popular.

*Censo Agropecuário 2006 – realizado e divulgado pelo IBGE em setembro de 2009

Assessoria de Comunicação - Instituto Terramar

22/12/2009

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