Dia 07 de agosto de 2009, a Lei da violência doméstica e familiar (Lei 11.340) completa três anos de existência. Para marcar a data e chamar atenção da sociedade para a ameaça que a lei vem sofrendo com o Projeto de Lei 156/2009, de reforma do Processo Penal, diversos movimentos de mulheres e feministas, juntamente com órgãos públicos, irão realizar um ato público na Praça do Ferreira. A ação começará às 8h, com o recebimento de denúncias pela Defensoria Pública na praça. Às 15h, os diversos movimentos realizarão um ato, com fala pública das mulheres, panfletagem, dentre outras atividades.
Promulgada em 2006, sobre forte pressão dos movimentos feministas e de mulheres que vinham observando a total ineficácia da legislação anterior e a negligência do sistema de justiça na garantia da integridade física e psíquica das mulheres, a Lei, que ficou conhecida como Maria da Penha em homenagem à cearense que lutou durante anos para responsabilização do ex-marido, representa um marco histórico no enfretamento à violência doméstica e sexual no Brasil, com evidentes impactos sociais e políticos na sociedade brasileira, embora ainda sofra muitas resistência para sua efetivação.
Além de enfrentar sérios obstáculos, como o conservadorismo e machismo de grande parte do judiciário brasileiro, a demora na criação dos juizados, o acesso das mulheres aos serviços, a falta de investimento de recursos dos Orçamentos Públicos dos Municípios, Estados e da União, dentre outros, a lei enfrenta ataques de setores conservadores da sociedade e agora corre o risco de perder sua aplicabilidade.
O projeto de Lei Lei 156/2009, de reforma do Processo Penal, que está em tramitação no Senado, resgata parte penal da Lei 9.099/95, dos Juizados Especiais Cíveis Criminais (os JECRIMs), que, entre outras questões, tratava da violência contra as mulheres antes da Lei Maria da Penha. Já a lei da violência doméstica e familiar contra as mulheres (Lei 11.340 – Maria da Penha) foi totalmente excluída do projeto de lei. Se este projeto for aprovado, a violência contra as mulheres volta a ser tratada como antes: acaba a prisão preventiva, acabam as medidas protetivas, as mulheres poderão retirar a queixa na delegacia (o que fazem muitas vezes obrigadas) e os agressores voltarão a cumprir penas através do pagamento de cestas básicas. Em resumo, a violência contra as mulheres volta a ser tratada como crime de menor potencial ofensivo. É contra este retrocesso na lei que protege a vida das mulheres que movimentos sociais de todo o país estão se mobilizando.
O ato é uma realização do Núcleo de Mulheres do Mov. Hip hop-MH2O; CTB-CE; Casa Chiquinha Gonzaga; Secretaria de. Mulheres da CUT-CE; UBM; Centro Socorro Abreu; Articulação de Mulheres Brasileiras; Fórum Cearense de Mulheres; Cebrapaz; AMEM; UMC; Crítica Radical; GABEDM; Cearah Periferia; Negif; Coordenadoria de Política para Mulheres de Fortaleza; Defensoria Pública - Núcleo de Enfrentamento da Violência contra as Mulheres; Assessoria do Gabinete do Sem. Inácio Arruda; Lamce; Centro de Referência Francisca Clotilde; Federação de Bairros e Favelas de Fortaleza; Fetamce; Sindsepuma, dentre outras entidades. Em anexo, a nota pública construída pelas entidades que organizam a ação.
Serviço:
O que? Prestação de serviços Defensoria Pública – recebimento de Denúncias – A partir das 8h
Às 14h - Ato em comemoração ao aniversário da promulgação da Lei Maria da Penha e em Defesa da Lei
Data: 07/08/2009
Local: Praça do Ferreira
Alguns dados sobre violência contra mulher no Ceará
Só este ano, no Ceará, foram assassinadas 43 mulheres. A Delegacia da Mulher já registrou mais de 2000 mil ocorrências desde janeiro.
Contatos: Beth Ferreira (Articulação de Mulheres Brasileiras) (85) 96332001 / Elizabeth Sousa (Defensoria Pública) (85)96469922 /
Nagyla Drumond (União Brasileira de Mulheres) (85) 86092203
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Aline Baima
Jornalista (CE 1702 JP)
Fone: (85)88585903