
Solicitada pelo vereador João Alfredo, através do requerimento nº 0353/2009, a audiência contou com a participação do Prof. Dr. Jeovah Meireles - da Universidade Federal do Ceará (UFC) -, do presidente da Associação Cearense de Supermercados, Aníbal Feijó e do representante da Pastoral dos Pescadores, André Luiz.
Durante a discussão, Aníbal Feijó afirmou que vai se reunir com os empresários do setor para tratar sobre o assunto e se comprometeu a identificar nos supermercados a origem e o local do camarão vendido, no prazo de 30 a 60 dias. “Os que estão ocupando e destruindo os manguezais vão ter que se enquadrar. Temos que adequar quem está irregular com critérios viáveis e sadios”, analisou.
Já André Luiz destacou os impactos que sofrem as comunidades com a criação dos viveiros de camarão. “Muitas das áreas que eram usadas pelas comunidades como passagem, agora estão fechadas por conta da carcinicultura. A maioria dos estudos sobre os impactos levam em consideração os aspectos ambientais, mas não antropológicos e culturais”. Ele citou o exemplo da comunidade do Curral Velho, localizada no município de Acaraú, onde o ônibus que atendia a população local deixou de circular por conta da água liberada pelos viveiros, impedindo a livre circulação. André também chamou atenção para o direito que a população tem em saber que tipo de produto está comprando. “Na hora que eu vou a um restaurante tenho que saber de onde é o camarão que estou consumindo”.
O professor Jeovah Meireles chamou atenção para impactos que sofre o meio ambiente com a carcinicultura, como a salinização do lençol freático, contaminação das águas das bacias hidrográficas, desmatamento do ecossistema manguezal, diminuição da biodiversidade, ocupação e privatização das terras da união, ocupação de territórios tradicionalmente ocupados por pescadores e índios e as suas expulsões, além da degradação da base da economia comunitária e o risco de segurança alimentar desses grupos. “Tudo gera uma conseqüência de danos ambientais e sociais, que recai de forma desproporcional e imediata nessas comunidades de pescadores, quilombolas e índios”.
Para ele, a utilização de antibióticos nos viveiros gera resíduos que podem ser incorporados no metabolismo das pessoas, gerando conseqüências imprevisíveis. “O risco maior está relacionado com os impactos cumulativos. Como esses químicos e fármacos interagem com os outros organismos do ecossistema? O resultado do uso desses medicamentos não é de conhecimento público”, alerta. Segundo Jeovah, o processo de exportação do camarão é danoso à sociedade. “O que se está exportando junto com o camarão é a biodiversidade dos manguezais, a qualidade ambiental das áreas úmidas e o modo de vida e ancestralidade dessas comunidades”.