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Pescadoras do Ceará: essas mulheres existem!

Em artigo Cristiane Faustino coloca a  visibilidade das mulheres da Zona Costeira no centro do debate sobre a mobilização e organização de mulheres pescadoras no Ceará. Veja aqui.
Salete e Bina (Guajiru - Trairi)
Salete e Bina (Guajiru - Trairi)
Embora pouco se diga sobre as mulheres pescadoras do Ceará, ou sobre as mulheres da Zona Costeira, elas existem e são determinantes na produção e reprodução da vida das comunidades pesqueiras. Na pesca, que é uma das atividades mais importantes dessas comunidades, elas estão nos processos anteriores e posteriores à captura; são maioria na pesca de raso, onde catam e tratam mariscos e algas. Apesar disso, são discriminadas de várias formas: da crendice popular que diz que mulher traz “azar” pelo fato de menstruar, até o não reconhecimento de seu trabalho de pescadora.

Tais discriminações se tornam mais perversas quando constatamos entre as mulheres a conjugação de várias atividades como estratégia de sobrevivência, pois além de pescadoras, são artesãs, costureiras, cozinheiras, sacoleiras, empregadas domésticas, barraqueiras, dentre outras. Além de serem responsabilizadas por todo o trabalho doméstico: limpeza, alimentação, cuidado com as crianças, enfermos, idosos, e tantas outras coisas.

Junto a isso, a expansão dos projetos desenvolvimentistas que se instalam na Zona Costeira, como a carcinicultura e o turismo de massa, as mulheres são atingidas com a destruição dos manguezais de onde retiram seu sustento, e com a perda de suas terras e referências de vida. No turismo de massa, em muitos casos, sobretudo as mais jovens, são postas dentro dos pacotes como uma “mercadoria” a mais.

Contudo, as mulheres pescadoras têm sido sujeitos de luta na garantia dos territórios e direitos sociais das comunidades costeiras. Mas essa presença precisa ser mediada pela visibilização de suas problemáticas. Daí a necessidade e os esforços que desenvolvem para constituir-se como sujeito político, visibilizadas e reconhecidas, na medida em que dão movimento à construção de uma Zona Costeira justa, democrática e efetivamente sustentável.

Por Cristiane Faustino
Programa Gênero e Cidadania
Instituto Terramar

*Fotografia: Iana Soares

28/11/2008

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